É TEMPO DE RESSIGNIFICAR O que a crise tem a nos ensinar?

A experiência que estamos vivenciando neste momento é obviamente algo que nunca vivenciamos antes. Nós brasileiros jamais passamos por momentos sequer parecidos. Nunca passamos por Tsunamis, furações, grandes guerras, terremotos e nem temos vulcões. Estamos habituados com muito contato físico, agitação e liberdade. Dar beijos, abraços, ir à praia, ao barzinho ou ao cinema, promover grandes ou pequenos eventos para reunir quem a gente gosta para comemorar conquistas, datas especiais ou simplesmente celebrar a amizade, pelo menos para nós brasileiros sempre foi algo que colaborou para dar sentido a nossas vidas.

Porém, subitamente fomos surpreendidos por algo que nos submeteu a uma série de perdas. Perda da forma de trabalhar e até mesmo do trabalho, da forma de se relacionar, de demonstrar afeto, perda financeira, perda da cultura, do convívio social, da liberdade e tantas outras que cada um vai vivenciar conforme a sua subjetividade. Sob a ameaça de um vírus que pode ser letal, tudo isso nos faz experimentar sentimentos como medo, a ansiedade, angústia, tristeza e insegurança. Pois geralmente as perdas geram luto e neste momento passamos certamente por um processo de luto. A negação, a raiva e a aceitação são algumas de suas importantes fases. Isso explica por exemplo, porque percebemos tantas pessoas hesitando tanto em seguir as recomendações preconizadas e outros comportamentos que exteriorizam a fase de negação. Pois não é nem um pouco fácil ter que abandonar velhos hábitos, lidar com um declínio financeiro e a possibilidade da morte. Estamos diante de um grande problema, de uma grande tragédia ou de um grande e complexo desafio?

Desta forma, se refletirmos sobre o curso de nossas vidas e também a história da humanidade, podemos constatar que períodos de crise acarretam em perdas significativas, mas também nos trazem muita aprendizagem e amadurecimento. Portanto, se conseguirmos ajustar o nosso olhar para um novo ângulo, podemos começar a perceber esse momento como uma oportunidade para aprendermos algo. E então, o que podemos aprender com períodos de crise?

A pandemia nos deu o precioso tempo que tanto precisávamos para descansar, para brincar mais com os filhos, ler um livro, assistir a um filme, dormir mais um pouco, cuidar de si mesmo... mas também nos leva a pensar sobre a qualidade das nossas relações, sobre as escolhas que temos feito, e sobre que tipo de uso estivemos fazendo com nosso tempo e nosso dinheiro. Será que precisávamos mesmo correr tanto? Será que precisávamos comprar tantas coisas? Todas aquelas prioridades que tínhamos antes, eram mesmo prioridades? O que de fato é importante para sua vida? O contato físico, afetivo, presencial, nunca foi tão valorizado, mas tenho a impressão de que já estávamos aos poucos migrando para este contato virtual sem nos darmos conta (como já dizia aquele velho ditado: “agente só dá valor quando perde”). E por falar em perdas, talvez jamais tenhamos experimentado a sensação de estar em contato tão próximo com a ideia da finitude da vida, o que nos arremete outra aprendizagem: que valor temos dado a nossas vidas? Como temos cuidado do nosso corpo e da nossa mente? Se hoje fosse seu último dia, sua vida teria valido a pena? Ou amargaria a culpa de ter desperdiçado todas a oportunidades de ir atrás do que realmente teria feito sentido para você?

Se antes achávamos que precisávamos de tantas coisas, hoje estamos aprendendo a viver com o essencial. Estamos aprendendo a exercitar a paciência, a lidar com o medo, a aceitar a morte, a valorizar tudo o que temos agora e viver um dia de cada vez. Períodos críticos nos levam a entrar em contato com tudo aquilo que vamos evitando ao longo da vida. É um convite obrigatório a olhar para dentro si. É tempo de ressignificar, dar um novo sentido à vida. De aprender que sempre há outras possibilidades e que sempre se pode fazer novas escolhas.

E você? O que tem aprendido nesta quarentena?

NATÁLIA GONÇALVES

CRP 5/54355

• Psicóloga

• Palestrante

• Coautora do livro: AUTOAMOR, um caminho para a regulação emocional e autoestima feminina. Editora conquista - lançado em 2019

• Coautora do livro: psicologia e psicoterapia, DESMISTIFICANDO IDEIAS E QUEBRANDO PRECONCEITOS editora conquista – previsão de lançamento: maio 2020

• Coordenadora editorial do livro: RESSIGNIFICAR, desafios e possibilidades para a construção de uma nova história. Editora A. G. Publicações – previsão de lançamento: julho 2020

• Pós-graduanda em neuropsicologia

• Área de atuação: atendimento clínico a adultos, com ênfase em autoestima e desenvolvimento feminino

• Atendimento: edifico Plaza Office, Campo Grande

• Psicóloga social na instituição de acolhimento “Ass. Obra de Ass. a Infância de Bangu”

CONTATOS:

• Instagram: @psi.natalia.goncalves

• E-mail: nataliagoncalves.psi@gmail.com

• (21) 98282-7724 (WhatsApp)

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